Fraco é Fraco

Na minha infância e adolescência tentei os mais diferentes esportes, sem sucesso. Judô, Karatê, basquete, skate, ginástica olímpica, atletismo, handebol, futebol. Sempre era um dos últimos a ser escolhido na hora de separar os times no futebol da escola, até que aos 13 anos descobri a natação. E apesar de não ser nenhum fenômeno, me apaixonei pelo esporte. E me encantei pelo fato de que na natação o desafio era pessoal, a disputa era em melhorar minhas próprias marcas.

A natação passou a ser a razão da minha vida, acordava pensando em natação e dormia pensando em natação. Porém aos 13 anos acreditava-se que eu era “velho” para iniciar-me no esporte, pois a maioria dos grandes nadadores começam a nadar bem cedo. Nessa época eu, então com 13 anos, perdia para todas as meninas da equipe de 10-11 anos, acho que o técnico nem sabia meu nome. Sabendo da desvantagem de ter começado a nadar tarde, me esforçava mais que todo mundo nos treinos: era o primeiro a entrar na água e o último a sair do treino. Lia e pesquisava tudo o que encontrava a respeito da natação. Com o tempo fui evoluindo, evoluindo, até que comecei a conseguir marcas boas para a idade, mas nunca conseguia ganhar dos melhores garotos da cidade na minha categoria. Vivia pensando no porquê de eles ganharem de mim, e querendo saber o que eles faziam de diferente de mim nos treinos.

Nessa época os melhores nadadores dos clubes da cidade eram selecionados durante os meses de junho e julho para treinarem juntos para os Jogos Regionais. Nos primeiros anos de natação meu Grand Slam, meu Tour de France, meu campeonato mundial era ser selecionado para participar dos Jogos Reginais e ter a chance de treinar com os melhores da cidade. Em 1995 aos 14 anos fui convocado a fazer parte da seleção da cidade. Iria treinar entre os melhores.

No primeiro dia eu estava super ansioso em treinar com os outros garotos, iria me esforçar ao máximo. Já no aquecimento pulei na água com a maior garra e me esforcei o máximo que pude. Para minha surpresa cheguei na frente de todo mundo. Na primeira série do treino a história foi outra, todo mundo nadava mais forte do que eu, quase nem consegui terminar a série tentando acompanhá-los. Após a primeira série: 200 solto, de novo eu cheguei na frente. Na segunda série, fui o último em todos os tiros. Ao final do treino, ao me ver saindo da piscina esgotado, um dos técnicos me chamou de lado e disse: “Rodrigo, se você conseguir nadar devagar tudo o que for devagar, conseguirá nadar forte tudo o que é forte. E assim seu condicionamento melhorará. Agora, se você fizer forte o que era para ser devagar, o devagar se tornará moderado e o forte também será moderado. E assim você nunca progredirá totalmente”. Aprendi a lição, 1 ano depois eu me tornaria o único medalhista de ouro na natação masculina da minha cidade nos Jogos Regionais.

E foi assim que aprendi sobre a importância do devagar nos treinos. Mas a maioria dos meus atletas tem dificuldades de entender o conceito. Quando eles perdem algum treino e acham que o seu condicionamento está piorando eles se sentem no direito de aumentar a intensidade dos treinos fracos. E deveria ser exatamente o oposto, ao perder treinos deve-se fazer dos treinos lentos mais lentos ainda. Dessa forma você irá garantir que estará pronto para o próximo treino forte.

Quer tentar?

Bons Treinos!

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